Cara de menina, olhar tímido e gestos doces. Assim se apresenta Thais diante do microfone do FIFA.com para um papo sobre a campanha brasileira na Copa do Mundo Sub-17 Feminina da FIFA. O curioso, no entanto, é notar a diferença entre a agora entrevistada e a jogadora que tem como uma das funções liderar a Seleção dentro de campo. Quando Thais amarra os cabelos e entra nos gramados em Trinidad e Tobago, tudo muda: ela mostra velocidade, é intuitiva na movimentação, dá grandes passes e tem um objetivo fixo no olhar, a meta adversária.

A jogadora do Santos é uma das “veteranas” desta Copa do Mundo Sub-17 Feminina da FIFA Trinidad e Tobago 2010. Dois anos atrás, viajou com as canarinhas à edição inaugural do torneio, na Nova Zelândia. “Eu era muito jovem naquele torneio, era a primeira viagem que fazia tão longe da minha família”, lembra.

Os apenas 15 anos que tinha não foram obstáculo para que o treinador confiasse plenamente na meio-campista, escalando-a como titular nos três compromissos da seleção. “Com o passar do tempo a gente aprende, e eu acho que cresci bastante nestes anos, pois muitas das experiências que vivi naquele torneio estão me ajudando aqui”, explica.

Em 2008, as brasileiras foram eliminadas na fase de grupos. Agora, porém, Thais e as suas companheiras já conseguiram chegar às quartas de final. “É uma grande alegria principalmente porque alcançamos algo inédito, é uma satisfação enorme estar aqui e vamos lutar pelo título”, declarou após a vitória de 2 a 0 sobre o Canadá, resultado que assegurou classificação em segundo lugar no equilibrado Grupo D.

A admiradora de Kaká e Cristiano Ronaldo fez o seu primeiro gol no Mundial Feminino Sub-17 justamente no confronto contra as canadenses, ao arrematar com um chute forte e rasteiro uma excelente assistência de Gláucia, que a encontrou desmarcada.

“Estou feliz por ter feito o meu primeiro gol em um Mundial,  mas acima de tudo estou satisfeita porque estou rendendo bem e ajudando a minha seleção a conquistar resultados positivos”, afirma. “Talvez a gente esteja tendo um pouco de dificuldade para marcar gols apesar de jogar muito com a bola no pé, mas acho que nesse sentido temos de parabenizar as nossas rivais, que fizeram um ótimo trabalho defensivo que não nos facilitou as coisas.”

Fúria nas quartas
Ainda na fase de grupos o Brasil teve tempo de se recuperar após a derrota por 1 a 0 contra Gana na segunda rodada. Agora, chega a uma nova etapa em que não há espaço para erros. Nas quartas de final a adversária será a Espanha, que venceu o Grupo C com 100% de aproveitamento.

“Já vimos as espanholas jogarem e deu para ver que formam um grupo muito forte, mas o Brasil tem condições de ganhar”, assegura Thais. Contudo, depois da difícil experiência na Nova Zelândia, ela prefere não exagerar na confiança. “Vamos nos concentrar para tirar a bola delas e tentar nos classificar, mas a verdade é que precisamos continuar melhorando. Depois de cada partida ganhamos mais experiência. Precisamos trabalhar, porque já tivemos partidas que não foram fáceis e mostraram que é necessário aperfeiçoar alguns aspectos.”

Porém, a avaliação acaba por aí. A jogadora prefere não revelar quais seriam essas deficiências. Tão jovem e tão experiente, não quer dar pistas às rivais espanholas. Vai ser necessário conferir em campo.

FONTE:  (FIFA.com) Quarta-feira 15 de setembro de 2010